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Capa - Referenciais da Socionomia de J. L. Moreno

Referenciais da Socionomia de J. L. Moreno

Autor(a): Adailton Altoé

Aguardava-se algo diferente. E o sopro renovador partiu do Instituto Mineiro de Psicodrama – IMPSI, de Adailton Altoé, autor deste livro! Ele abre janelas através das quais novos ângulos da obra moreniana podem ser vislumbrados. Com a competência que somente um teólogo psicodramatista pode ter, ele revela que a principal referência de Moreno é Jesus de Nazaré!
Assinala que, apesar de o criador do psicodrama não se ter identificado, nem aderido à fé e às instituições cristãs, ele abraça a causa ética e terapêutica de Jesus. Moreno espelha-se em Jesus ao expressar uma relação de intimidade com Deus. Este é compreendido aqui como a arquissubstância cósmica que as criaturas carregam dentro de si: “Eu e o Pai somos Um”. O Deus-Eu surge como alternativa ao Deus-Tu e ao Deus-Ele. Dessa maneira, a Divindade manifesta-se pelos atos humanos criativos, tornando-se o homem corresponsável do destino da humanidade.
A marca cristã da justiça e da inclusão social aparece em todas as criações de Moreno. Ele assim procede com as crianças, pobres, imigrantes, prostitutas, doentes, prisioneiros, loucos, enfim, com todos os tipos de excluídos sociais. Funda uma religião baseada nesses princípios – a religião do encontro. Ao abandonar seu projeto juvenil de tornar-se um profeta, segundo Adailton, “opta por ser um santo ativo, rebelando-se contra as instituições sociais distorcidas”.
Enfrenta as conservas culturais de seu tempo, tornando-se, como já foi dito, apropriadamente, um criador por extensão e contraposição. Oferece o teatro espontâneo como alternativa ao teatro tradicional, o “choque psicodramático” ao eletrochoque da psiquiatria clássica. Convida os pacientes a se levantar do divã psicanalítico e a caminhar em direção ao palco psicodramático.
O autor assinala ainda a admiração de Moreno pelos mitos bíblicos, especialmente os da origem do universo, como em seu épico poema As Palavras do Pai: “Eu sou Deus, o Pai, o Criador do Universo. Estas são as minhas palavras, as palavras do Pai (...)”. Moreno não deixa dúvidas quanto à inspiração para criar seu método científico, afirmando que ciência e religião constituem duas faces da mesma moeda. Acrescenta que todas as suas inspirações vieram direta ou indiretamente de sua ideia de Divindade e do princípio de Sua gênese.
A partir dessas correlações, e lançando mão de uma “licença religiosa”, bem poderíamos imaginar o Novo Testamento como uma sucessão de cenas psicodramáticas dirigidas pelo diretor Jesus. Os psicodramas públicos desenvolviam-se ao longo de sua peregrinação. Aconteciam in situ, nas ruas, praças e casas dos protagonistas. O enfoque era tanto terapêutico como socioeducacional. Às vezes aconteciam curas; outras vezes, inclusões sociais O diretor possuía uma equipe de egos-apóstolos-auxiliares, discípulos que se preparavam para assumir o lugar do mestre na condução de pequenos, médios e grandes grupos. A experiência era compartilhada pela plateia constituída pelos elementos do grupo-povo local.
Enfim, tal é a quantidade de surpresas reservadas ao psicodramatista neste livro que nada mais me resta fazer senão convidá-lo a embrenhar-se no texto de Adailton Altoé. Não posso, no entanto, deixar de saudar mais um livro brasileiro de psicodrama, desta vez originário do renovado movimento psicodramático mineiro.

José Fonseca


Gênero: Educação
Editora: Novas Edições Acadêmicas
Ano do lançamento: 2015
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